Trabalho em altura (NR-35): 7 erros recorrentes que ainda matam em obra
Acidente fatal em altura raramente é por azar. Quase sempre é por uma cadeia de falhas previsíveis. Veja as 7 mais recorrentes — e como cortá-las no DDS.
O que é trabalho em altura para a NR-35
Toda atividade executada acima de 2 metros do nível inferior onde haja risco de queda. Isso inclui telhados, andaimes, plataformas elevatórias, escadas extensíveis, silos, torres, pontes rolantes — e situações menos óbvias como caixa d'água, marquise, calha.
Os 7 erros que mais matam
1. Ancoragem improvisada
Trabalhador conectado a tubulação, viga não estrutural, batente de porta ou outro ponto não dimensionado para impacto de queda. Toda ancoragem deve resistir a 22 kN (2.250 kgf) por trabalhador conectado e ter ART de quem dimensionou.
2. APR genérica de gaveta
Análise Preliminar de Risco padronizada, aplicada igual a qualquer atividade, sem considerar particularidades do dia, do local e da equipe. Não cumpre a função técnica e fragiliza a defesa jurídica.
3. Cinto sem trava-quedas adequado
Cinto paraquedista usado sem trava-quedas, ou com talabarte simples em situação que exige duplo (com absorvedor de energia). Confusão entre talabarte de posicionamento e talabarte de retenção.
4. Plano de resgate inexistente ou não treinado
NR-35 exige plano de resgate específico para cada local e atividade, com equipe treinada para resgate em altura — não pode depender de chamado externo (Bombeiros) como plano primário. A síndrome do arnês mata em 15 a 30 minutos.
5. Trabalhador sem aptidão técnica ou de saúde
Falta de treinamento NR-35 válido (8h básico + 4h reciclagem bienal) ou exames médicos específicos (cardiológico, neurológico, vertigem). Atestado de saúde ocupacional genérico não substitui avaliação específica.
6. EPI compartilhado ou vencido
Cinto, capacete e talabarte com prazo expirado, danificados ou sem CA. EPI de altura tem vida útil limitada — geralmente 5 anos para fitas sintéticas, mas o fabricante define.
7. Supervisão ausente
Atividade iniciada sem o supervisor presente conferir APR, ancoragem e equipamentos. Em altura, a supervisão é parte da medida de controle — não é burocracia.
Ponto de ancoragem certificado · APR específica do dia · EPI dentro do prazo e com CA · Plano de resgate revisado · Equipe com NR-35 e ASO atualizados · Condições climáticas verificadas (vento, chuva).
O custo do acidente em altura
Além da tragédia humana, acidente fatal em altura tipicamente resulta em: interdição da obra, indenizações trabalhistas, ação regressiva do INSS, processo criminal contra o responsável técnico, perda do contrato com tomador, agravamento de FAP/RAT por anos.
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